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O ano de 1717 é tido como o de nascimento
da Maçonaria, tal como a conhecemos nos nossos dias,
assim como reconhecemos o Iluminismo como tendo
aparecido, na Europa, em 1680. Em pleno apogeu do
movimento, portanto, pode-se afirmar que a Maçonaria
especulativa surgiu como associação destinada ao
aprimoramento moral e social do homem a partir do Séc.
XVIII. Esses Maçons eram, na sua maior parte, conhecidos
pela denominação de antigos e aceitos .
A
Maçonaria Moderna adota uma posição coerente com a
religião natural, que busca reunir os homens em um
centro – o Centro de União – como Anderson o
chamava. Os enciclopedistas franceses esposavam a
idéia de que a razão deveria nortear a aquisição dos
conhecimentos, evitando-se a atribuição de motivos
ocultos, malignos ou mágicos aos fatos que a ciência,
pelo estudo, teste e raciocínio, poderia explicar.
Assim, Voltaire, Diderot, Montesquieu, D'Alembert,
Rousseau e outros rechaçavam o teísmo exacerbado,
reagindo contra o excesso de intervenção do poder
religioso atemporal sobre o poder do Estado,
temporal.
O
racionalismo do Rito Moderno tem muita semelhança com
aquele proposto por Rousseau, em seu Contrato Social,
que procurou fundar uma sociedade e um Estado baseados
na razão. Segundo o Rito, a moderna Maçonaria, ao
nascer, representa uma das mais extraordinárias
manifestações da Idade da Razão, por satisfazer ao
deísmo e ao racionalismo e, ainda, pelas incertezas que
desviava um dos aspectos de suas atitudes racionais para
o mistério.
A
Maçonaria moderna surgiu quando, em 1717, quatro lojas
de Londres se reuniram para formar a Grande Loja de
Londres, orientando-se para os estudos teóricos e
afastando-se da prática da construção. As Constituições
de Anderson, de 1723, contém a história da Instituição,
os princípios gerais e as obrigações dos
Maçons.
A
denominação de Rito Francês aparece, inicialmente, num
processo de uma deliberação do Grande Oriente de França,
de 25/12/1799, sobre uma loja de Nova York sob o
Rito Francês. No século seguinte, o mesmo rito será
conhecido como Moderno, o que se constata no Guide des
Maçons Écossais ou Cahiers des Trois Grades Symboliques
du Rit Ancien et Accepté. Tudo indica que o nome de Rito
Francês e, depois, Rito Moderno, foi utilizado pelo
Grande Oriente de França em oposição ao nome Escocês,
usado por vários ritos praticados na França, no século
XVIII.
Sabe-se
que a Maçonaria foi introduzida, na França, por volta de
1725, por emigrados jacobinos ingleses. Até 1751,
praticava-se um rito uniforme, em todas as lojas da
França, quando surgiu, na Inglaterra, a Grande Loja dos
Antigos, que denominou, incontinenti, a Maçonaria de
1717 de Modernos. Daí a longínqua origem da denominação
do Rito Moderno, dado ao Rito Francês pelos Maçons do
Rito Escocês Antigo e Aceito, fiel à tradição de
1717.
Nota-se,
pela leitura dos antigos rituais franceses, que a
tendência deísta desde logo se caracterizou, como a
ausência do Livro da Lei, o juramento sobre os Estatutos
da Ordem, diante do Grande Arquiteto do Universo. O
ritual de 1785 não é cristão e não faz referência a
nenhuma tradição religiosa em particular. O juramento, a
propósito, começa assim (idem): "- Sim, Grande Deus, eu
prometo ser fiel à Santa Religião...", sem especificar
qual é ela. Este exemplo é o mais antigo de um juramento
onde não há referência ao cristianismo.
O
Altar dos Juramentos nos templos é uma invenção
relativamente recente. No princípio, os compromissos
solenes eram realizados à frente da mesa do Venerável,
que correspondia ao Santo dos Santos do Templo de
Salomão. Posteriormente, o Livro da Lei passou a ser
colocado em um tamborete ou mesinha, à frente do altar,
como uma extensão. A partir de então, essa mesinha tomou
outras formas, até chegar à triangular de
hoje.
Até
1740, não havia Bíblia no recinto do templo maçônico, o
que começou a aparecer por ordem do Grão Mestre da
Grande Loja de Londres, que alegou que os maçons
operativos prestassem juramento sobre esse livro. Na
realidade, tratava-se de obter o beneplácito da Igreja
Anglicana que, opondo-se à Igreja Católica, seria um
poderoso aliado contra a oposição ferrenha desta contra
a Maçonaria – um gesto político, portanto. O Rito
Moderno não incluiu o Livro da Lei em seus Rituais e o
mantém em loja fechado.
O
Rito Moderno é adogmático, desde 1877, isto é, ele não
aceita cingir-se a afirmações axiomáticas que não sejam
verificadas pelo estudo, pela reflexão e pela
experimentação. Por isso mesmo, não abre seus trabalhos
como nos ritos ditos teístas nem presta juramentos sobre
a Bíblia ou qualquer outro livro conhecido como
sagrado.
O
sistema maçônico francês, portanto, sempre se voltou
para o Humanismo, para a Filosofia Moral, o
descobrimento do homem pelo homem, que é educado
liberalmente, tornando-se digno, livre e de bons
costumes. Ele combate qualquer tipo de agressão à vida e
à dignidade de qualquer partícipe da Grande Sociedade,
tratando com cuidado o nacionalismo exacerbado e o
fanatismo de um poder centralizado.
Jefferson Dâmaso
Araújo
M.’.M.’. ARLS
Voluntários da
Pátria
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